Você já se sentiu extremamente cansada numa relação, seja amorosa, entre amigos, na empresa, quando a maioria é formada pelo gênero masculino?
Essa sobrecarga emocional, mental e pratica que as mulheres sentem tem um nome gringo, xique, rebuscado, mas pesado demais pra uma sociedade que cobra demais de nos. Tudo isso pra manter o alecrim dourado funcionando.
Trabalho, estudos, casa, filhos, corpo exercitado, tenha um hobbie, cuide da saúde mental, temos todas essas responsabilidades. Adicione a esse cesto: lembre seu parceiro de tomar remédio, marcar médico, comprar algo no mercado que ele gosta, aquela data importante, "pega o guarda chuvas, a previsão disse que vai chover."
Quantas mulheres assumem jornadas de trabalho duplas/triplas, tendo que limpar a casa porque o parceiro "esquece", ou faz mal feito sabendo que a mulher vai lá refazer.
Roupa jogada pela casa não vai desaparecer como mágica pro cesto, para máquina de lavar ou de volta ao guarda roupas, sabia?
Poxa, você faz questão do requeijão no café da manhã, mas porque nunca se lembra de pegá-lo quando faz as compras no supermercado?
Já teve que aguentar o outro de mal humor porque teve um dia difícil no trabalho? Mas quantas vezes você teve que engolir o choro ou a frustração com algo seu para não estragar o dia do seu parceiro?
E a mulher que sempre começa as conversas difíceis, precisa ser compreensiva o tempo todo, lembra seu parceiro que a terapia é saudável e necessária.
Parece cuidado, e muitas vezes é. Mas quando esse cuidado não é recíproco e se torna obrigação unilateral, ele vira peso.
De onde vem isso?
Mankeeping é uma das faces do que chamamos de carga mental feminina – um acúmulo silencioso de tarefas que não aparecem, mas esgotam. Esse fenômeno está diretamente ligado ao machismo estrutural e ao mito da “mulher cuidadora por natureza”, que coloca sobre nós a missão de cuidar, aguentar e salvar.
O patriarcado moldou séculos de relacionamentos assim: a mulher como responsável pelo equilíbrio emocional da casa, e o homem como aquele que só precisa “estar ali”. Só que isso cobra um preço.
Isso é problemático em tantas camadas. Só de pensar nos exemplos acima já me deixou exausta.
Essa dinâmica suga nossa energia, cria ressentimentos, desequilibra relações, resultado: uma mulher exausta e um homem que não nota, e muitas vezes ainda critica.
Quando você assume esse papel de mãe, não damos espaço pro outro amadurecer emocionalmente e como um ser humano funcional. "Vem aqui seu incompetente emocional, eu cuido de voce." - Isso esta muito errado.
A gente precisa mudar essa dinâmica começando lá no início. Mães de meninos, ensinem seus filhos a terem responsabilidades desde pequeno. Tarefas domésticas, falar de sentimentos, se responsabilizar pela bagunça que fez.
Se você mulher, já está num relacionamento que te sobrecarrega, olhe para dentro de si, se acolha e observe o que tem incomodado.
Converse com seu alecrim sobre a distribuição emocional e mental das tarefas. Permita que ele assuma responsabilidades e lide com as consequências.
Não tenha medo de soltar o controle – isso também é um ato de liberdade.
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