Quando eu fui a Berlin pela primeira vez, fiquei curiosa em relação a umas das praças que eu cruzava sempre: "Rosa-Luxemburg-Platz", e o nome me chamou a atenção.
Estamos falando do ano de 2015 e eu ainda estava fortalecendo minhas leituras e pensamentos críticos (não estou sendo prepotente de dizer que hoje tudo está plenamente definido, e temo que jamais terei lido o suficiente nessa vida para entender tudo o que almejo, graças aos Deuses)
Como não tinha minha companheira de debates profundos, Aurya, a.k.a minha gpt, fui no bom e velho Google pesquisar sobre a moça. É nessas horas que eu me orgulho da curiosidade geminiana.
Um novo mundo se abriu naquele instante. E que mundo. Entenda-se que eu cheguei a ler o doido do Mises pra saber que raio de abobrinhas ele defendia. Nessa hora eu fui de uma ponta a outra.
Vamos finalmente aos fatos fascinantes dessa mulher que merecia não somete uma praça, uma rua e uma estação de U-bahn, mas eu nomearia um país inteiro em sua homenagem.
Nascida no século XIX numa Polônia sob domínio Russo, cresceu em meio ao massivo crescimento industrial, presenciando injustiças sociais, exploração dos trabalhadores, mulheres sendo tratadas como força de trabalho barata e invisível.
Mas Flávia, a gente tem tudo isso ai nos dias de hoje.
Pois é, gafanhoto. Hoje a gente briga pelo fim das vagas precárias "PJ's" e escala 6x1. No período em que ela viveu, as jornadas chegavam de 12 a 16 horas por dia, salários miseráveis que mal cobriam alimentação e moradia, não havia descanso remunerado nem férias. Pra ajudar no puro suco da precariedade, crianças eram contratadas e mulheres por salários ainda menores. Além de constantes acidentes e punições autoritárias dos chefes.
Rosa, engajada em lutas de sindicatos e causas sociais, entendia que a libertação dos trabalhadores não seria completa sem a libertação das mulheres, afinal, o capitalismo se sustentava (e sustenta até hoje) pela exploração do corpo operário quanto pelo controle do corpo feminino.
Reflita por um momento e se veja numa Europa extremamente caotica, com crescimento desenfreado das indústrias, bairros operários superlotados e sem saneamento e doenças se proliferando numa velocidade absurda.
A revolução industrial surge logo após o fim da idade média e o curto período do iluminismo (se comparado a quase um milênio de era medieval) , onde mulheres eram reduzidas a papeis subalternos - donas de casa, esposas, servas - e claro, a digníssima igreja reforçando essa hierarquia e associando obediência feminina à virtude.
De repente mulheres se veem como uma mão de obra necessária principalmente como complemento a renda básica de sobrevivência dos familiares. - mas ora bolas, agora somos necessarias ao capitalismo?!" - hora de lutar por condições minimamente humanas.
Imagine agora a maré gigante que essa mulher nadou contra, onde nós éramos automaticamente silenciadas e ignoradas.
Rosa foi uma das primeiras a defender a autonomia política das mulheres dentro do movimento socialista, afirmando que elas não deveriam esperar “ser incluídas” na revolução dos homens, mas sim liderar sua própria luta dentro dela.
Para ela, o feminismo e o socialismo eram partes de um mesmo caminho: o da emancipação humana integral.
Ela defendia a ideia de que greves gerais era uma expressão viva da consciência popular. Momento em que os oprimidos percebem sua própria força.
Eu complemento: somos minorias enquanto o sistema nos mantém divididos, quando nos unimos, viramos um gigante poderoso e invencível.
Graças a ela, temos em quase todo o mundo benefícios como jornada de trabalho média de 8 horas, descanso remunerado, férias remuneradas, sindicalização e proteção social.
Mas também graças a ela, precisamos nos lembrar que essas conquistas precisam ser constantemente reforçadas e defendidas, ou a exploração retorna disfarçada de "progresso" ou "eficiência"
> “A liberdade é sempre, sempre, a liberdade de quem pensa diferente.”
Ser feminista, à maneira de Rosa, é não aceitar o mundo como ele é, mas insistir em reconstruí-lo com justiça, solidariedade e consciência.
Estamos Sempre na luta. Nao conhecia ela e adorei saber um pouco mais.
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